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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A bandeira - parte 2


lá vai o Brasil...


Pela manhã um novo ensaio da entrada das bandeiras. Ontem avisaram que hoje saberíamos que bandeira portamos oficialmente. Saí de casa cedo para garantir que estaria presente neste momento. Mas de novo não decidiram e vamos saber só antes da cerimônia, que é a noite.

São duas entradas de bandeira, uma à direita e a outra à esquerda do palco e já sei o lado que vou estar. A boa notícia é que a bandeira do Brasil é do mesmo lado (a do Butão também). O primeiro obstáculo foi vencido! Agora preciso ser a nona pessoa a ser chamada - claro que já contei quantas bandeiras são até a brasileira.

A novidade engraçada é que sou porta bandeira, mas quem vai portar a bandeira é o delegado convidado de cada país. Eu devo estar ali do lado, acompanhá-lo até o palco e depois que ele subir me virar com a bandeira em mãos. Dizem que devemos acenar quando se disser o nome do país que estamos acompanhando, mas estou achando estranho começar a abanar a mão empolgada se anunciam a Finlândia...





terça-feira, 23 de outubro de 2012

A bandeira - parte 1

Cheguei a Turim para o ensaio da cerimônia de abertura do Terra Madre. Fui convocada para portar uma bandeira. Não tinha nenhuma idéia do que seria e que bandeira seria, mas agora caiu a ficha.

O negócio é como uma olimpíada, entra a bandeira de cada país participante, junto com um representante da nação. O que me parecia uma presepada se tornou uma emoção. E olha que hoje foi só o ensaio e já fiquei arrepiada. São quase 140 países, todo o mundo ali junto, discutindo e mostrando sua alimentação, seus valores, aquilo que guardam como uma herança da sua história.

A briga agora é pela bandeira ;)

Pelo jeito sou a única estrangeira no grupo, e claro, nesta hora o amor à pátria vem com força total e eu tô louca pra portar a bandeira das terras tupiniquins. Mas...não se pode escolher! Começo a pensar nas minhas melhores caras de piedade e misericórdia para propor uma troca caso o destino me dê outra das 140 bandeiras presentes. Por favor torçam por mim, aceito inclusive velas e benzedeiras. O Brasil é queridinho por aqui, é umas das bandeiras disputadas...

Mas já começo a aceitar segundas opções. Já viu a bandeira de Butão como é bonita?

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Terra Madre, aí vou eu!


Quem tá me acompanhando nessa epopeia por terras italianas (será que tem alguém aí?) já deve ter percebido que alguma coisa mudou no ritmo da comunicação. É que meu ritmo interno mudou. Tenho agora poucos dias de Itália – e depois 4 em Portugal, antes de voltar para o Brasil e já me sinto “arrumando as malas”.  Pra completar hoje estou despedindo do Pietro, de Certaldo, dos dias maravilhosos que tive nesta fazenda. Entre tantas idas e vindas aqui se tornou minha casa, o lugar que voltava pra dormir bem, contar as histórias, andar de motorino pela Toscana, estar com este pai-emprestado-da-aurora que virou um pai-de-verdade-italiano.



Os preparativos agora são para o Terra Madre, o maior evento do mundo slow food, que acontece esta semana em Turim. A boa nova é que vou participar como voluntária. Proporcionalmente é como um apaixonado por futebol trabalhar como gandula na Copa do Mundo. Não importa o tanto que eu tenha que correr, eu tô ali, nos bastidores. A dificuldade é que devo estar lá antes, pensar nos eventos que quero participar, cursos, me concentrar. E concentrar tá difícil neste momento...

Mas como não trabalho todo o tempo, sobra um pouquinho para ver o Terra Madre que este ano acontece junto com o Salone del Gusto. Ainda não consigo ter claro a diferença entre os dois eventos, mas essa informação é repetida tantas vezes em todo material do evento que assim que entender melhor, compartilho! O que sei é que estão fazendo uma horta de 400 m2 dentro do espaço para mostrar o projeto 1000 hortas na áfrica. E posso dizer que 400 m2 de horta não é pouca coisa não. Que no dia da abertura trabalho como porta bandeira, mas não faço a menor ideia que bandeira seja, do quê ou de onde. E que claro, seria lindo se fosse uma bandeira do Brasil (mas também estaria contente com uma bandeira de um país da África ou Ásia). Que tem uma delegação tupiniquim, que entre outros assuntos participará do simpósio sobre queijos artesanais feitos com leite cru, ainda que este não seja o nome oficial do simpósio.

Dá pra ver que sei tudo e nada. E é assim que quero ir pro Terra Madre com uma noção do que acontece, mas principalmente com muita disposição de descobrir. É quase a apoteose dessa viagem, tudo-ao-mesmo-tempo-e-junto!

Por isso pra quem ainda está aí, um pouquinho de paciência com o novo ritmo. Deixo abaixo uma receita do site do Terra Madre, pra ir dando o gostinho dos dias que virão!

Cozinhando sem desperdício: Timpano Napolitano

Uma massa clássica do sul da Itália será a estrela da oficina Cozinhando com Sobras (Cooking with Waste) “Massas recheadas e Timballi” do Salone del Gusto e Terra Madre em outubro. O chef napolitano Antonio Tubelli ensinará a sua receita de timpano, o típico prato feito de camadas de massa, carne e queijo, cuja origem é o aproveitamento das sobras do almoço de domingo. 

Antonio explica: “Tradicionalmente, o ragu, que é um molho de carne, tinha vida longa. A panela ficava fervendo no fogão no sábado à noite e na mesma noite ou no domingo de manhã, a família costumava molhar pedaços de pão no molho. Uma grande quantidade de massa era feita para comer com o molho no almoço de domingo. Na segunda-feira, o que sobrava da massa e do molho era usado para preparar o timpano, com a adição de um pouco de mozzarella.” 

As variações deste prato são tantas quanto são os chefs e não existe uma receita “oficial”. Tradicionalmente, é feito numa caçarola esmaltada, mas uma forma de bolo grande e funda também serve. Pode-se adicionar uma grande variedade de ingredientes, como ervilhas, pequenas almôndegas e ovos cozidos. A beleza de cozinhar sem desperdício está nisso – adaptar a sua receita ao que há na sua dispensa. Bom apetite! 

“Timpano” Napolitano 

Serve 6-8 

6 kg de tomates San Marzano maduros, para o molho 
8 colheres de sopa de azeite de oliva extravirgem 
sal a gosto 
300 g de carne de porco 
300 g de costelinhas de porco
300 g de carne de vitela
2 cebolas médias picadas 
2 colheres de sopa de extrato de tomate ou de pimentão vermelho
200 ml de vinho tinto
Um punhado grande de folhas de manjericão
1 kg de ziti (massa em tubinhos) 
50 g de manteiga
3 colheres de sopa de farinha de rosca 
500 g de mozzarella fresca cortada em cubinhos
250 g de queijo parmesão ralado



Comece preparando o molho de tomate – um simples purê de tomates. Aqueça duas colheres de azeite de oliva, adicione os tomates cortados em pedacinhos, uma pitada de sal e cozinhe até que fiquem macios. Bata no liquidificador, passe o molho na peneira e reserve. 

Para fazer o tradicional ragu napolitano (molho de carne), doure a carne cortada em pedaços grandes em seis colheres de azeite de oliva. Adicione a cebola e o extrato de tomate ou pimentão e, em seguida, o molho de tomates, o vinho e o manjericão. Começa, então, o lento processo de cozimento: deixe cozinhar em fogo brando, com a panela tampada, durante algumas horas, adicionando um pouco de água se começar a secar – deixe o molho reduzir até ficar cremoso. 

Depois disso, cozinhe os ziti numa panela grande com água fervente até que fiquem al dente. Depois de escorrer a massa, adicione o ragu, separando os pedaços de carne grandes. 

Para preparar o timpano, preaqueça o forno a 180ºC e unte uma forma ou caçarola funda de 26 cm de diâmetro com manteiga e polvilhe com a farinha de rosca. Espalhe metade da massa no fundo da forma e cubra com os pedaços de carne do ragu – que estarão desmanchados - e a mozzarella em cubinhos. Cubra com o resto dos ziti e finalize com uma camada generosa de queijo parmesão. Asse no forno por 15/20 minutos. 

Desenforme o timpano num prato grande e sirva quente. 





Clique aqui para visitar o website do Salone del Gusto e Terra Madre. 




terça-feira, 16 de outubro de 2012

Insensatez

Leone, um menino encantador de 12 anos, me pergunta no meio do jantar com toda a família:

- O quê quer dizer "ai se eu te pego"?
- ...

                                                                   xxx

Esta semana trabalhei no Majnoni embotilhando vinho - que pra mim tem sabor de fechando um ciclo. Meu colega de trabalho, um albanês chamado Shuani, me pergunta:

- O quê quer dizer "perere pepê" em português?

Disse a verdade que não significava nada, assim como toda a letra da música de Gustavo Lima (e você), que faz o maior sucesso aqui.

No outro dia uma nova pergunta:

- E shimbalaiê?
- Pensei seriamente em inventar um significado. Quem sabe é o barulho do mar e eu não sabia? Mas me rendi à verdade.
- É um som, sem significado.

                                                              xxx

O outro lado do disco é que na revista do slow food do mês passado tinha uma reportagem sobre o RIO +20 e no final uma página sobre a nova e boa música brasileira. E tava lá, entre Karina Bhur, Siba e Mallu Magalhães os queridíssimos do Graveola e o Lixo Polifônico! Como fico feliz quando vejo o sucesso deles! Pra mim são primos!


Minha música preferida. Dá pra falar e pensar certas coisas de outra forma, num é não?

domingo, 14 de outubro de 2012

Oba, sorvete!

Meu primeiro sorvete na Itália foi de pistache, posso lembrar do sabor como se fosse hoje, com Beto, Fer e família numa cidade vizinha a Turim. Naquele momento pensei que todo sorvete aqui seria assim, dos deuses. Mas claro que não funciona desse jeito romântico. Encontrei muitos sorvetes bons, mas também muitos "meia boca", com isso fui aprendendo, fazendo uma seleção na cabeça. Até chegar o momento em que este era meu assunto preferido e comecei a escutar histórias de sorvetes e sorveteiros, da fabricação e do consumo. Foi mágico porque quando escrevi da Dona Maria, tudo e todos à minha volta chegavam com alguma história nova sobre sorvetes. Sabe quando a gente nunca ouviu uma palavra e uma hora conhece e depois disso começa a ouvir todo o tempo? Pois é, foi assim.

Não é um super guia, mas é um resumo de como fui me virando pra encontrar os bons sorvetes por aqui...

1 - Primeira coisa é saber se é artesanal ou industrializado. Geralmente tem alguma plaquetinha ou placona dizendo. Faz toda a diferença, separa o joio do trigo.

2 - Na dúvida, olhe o sorvete de pistache. A cor diz tudo, qualquer tom de verde que não lembre aquela bela cor verde escura do pistache, já me faz desistir da sorveteria. Pistache é um ícone, precisa ser bem representado.

3 - Sorvete bom é sorvete novo, dura 3 dias no máximo. A cultura do fresco é que tenho mais sentido que falta no Brasil. Ricota velha, mussarela velha, farinha de trigo, sorvete, tudo sem este frescor, que faz toda a diferença.

4 - O tempo da sorveteria diz alguma coisa, um negócio que tá ali há mais de 20 anos merece algum crédito e provavelmente tem prática. Geralmente vem escrito em algum lugar a data de fundação quando isto pode ser parte do marketing...

4 - Na dúvida sorveteria famosa. Claro que é bom descobrir aquela portinha de sorvete artesanal antiga, melhor ainda se tem um velhinho que serve o sorvete, mas até o olho apurar e a língua entender o idioma, eu apostei nas sorveterias "slow food" grandes.

Grom, é a primeira, vai bem sempre, você encontra em toda cidade grande/turística italiana. Tem o sabor do mês, com a fruta da estação e todos os produtos são de boa origem. Tanto os  cremosos, como avelã (nocciola) ou creme (panna) são bons, como os de fruta. Destaque para o de melão no verão...

La Strega Nocciola em Florença me fez esperar meia hora para ser aberta, correndo risco de perder o trem para Certaldo por conta de um sorvete de lavanda. Sonhei com este sorvete vários dias, e quando voltava "pra casa" tive que ir lá tomar mais um...

A Venchi que faz um chocolate tradicional tem também umas sorveterias espalhadas pela Itália, na estação de Milão tomei um sorvete de chocolate "fondente" inesquecível. Na parede vem dizendo que não usam aditivos, conservantes, aromas artificiais, etc. Faz parte deste modelito slow food que funciona muito bem por aqui. Eu agradeço!

5 - Por último prefiro sempre o sabor que tem a ver com o lugar. Mesmo que não necessariamente a massa do sorvete seja feita ali, mas acho que dá o clima comer algo do local, é uma forma de começar a conhecer. Por exemplo na Sicília sorvete de pistache ou de limão, Piemonte avelã, granita de melancia em Salento...

em Sicília sorvete no brioche é tradicional


O quê? Os sabores exóticos? Pois é, apesar de ser fã dos sorvetes tradicionais, claro que experimentei um bucado de novos sabores. E posso dizer que não lembro de nenhum que não fosse bom. Os melhores talvez sejam um de caramelo com sal grosso numa sorveteria pequenininha de Florença, outro de nozes com basílico em Roma e neste mesmo lugar um de abóbora, que tinha sabor de doce mineiro pouco doce...

O melhor sorvete de todos?
Em Cefalù, uma pequena cidade na Sicília, primeiro tomei uma granita que não era boa e era cara no café chique vizinho à catedral, depois desci uma rua estreita e tava lá, literalmente uma portinha com um balcão na frente e dentro uma moça simpática que me deixou experimentar metade dos sabores que tinha. Por sorte tenho até a foto do sorvete de pistache e de creme dentro do brioche, para não esquecer mais. A verdade é que na Sicília tem bons sorvetes e mais, tem a granita, aquele sorvete feito com gelo triturado e suco de fruta! Uma experiência à parte dos sorvetes. A mais gostosa, porque também alimenta os olhos, é aquela feita na rua, num carrinho de granita, com um bloco de gelo que o vendedor raspa, raspa e coloca no copo, por cima o xarope da fruta, feito por ele, é claro.


a granita "raspada" em Palermo

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Cittàslow


Antes de vir para a Itália, um dia recebi do meu tio Maurício, um email com o assunto: cittaslow. Era uma reportagem de uma revista on line que se chama Business do Bem. Trata de um movimento nascido numa pequena cidade italiana, inspirado no slow food. Na época li, mas não tinha guardado bem onde era, estes dias resolvi reler e quem sabe procurar esta cidade. E para minha alegria era Greve, uma cidade toscana que já conhecia, vizinha à fazenda Le Fornaci. Estes dias estive na região de novo e descobri mais um título que a cidade orgulhosamente exibe: OGM's free (nada de transgênicos por aqui). Só aumentou minha alegria de estar neste lugar especial, onde fiz amigos que levo no coração e claro, espero no Brasil!
Abaixo um trecho da matéria do Business do Bem, quem quiser vê-la inteira é só clicar aqui. 
"Greve in Chianti é uma pequena comunidade de menos de 15.000 habitantes a 30 quilômetros de Florença, no coração da Toscana. Provavelmente existe antes dos etruscos e dos romanos dominarem a área; os registros mais antigos são do século XI. A economia local está baseada na exportação de óleo de oliva extra virgem e vinhos chiantis e super-toscanos e importação de turistas. A cidade abriga atrações como a Igreja Santa Croce (século XI), uma casa que foi de Américo Vespúcio, um mosteiro Franciscano do século XIV e o castelo de Verrazzano construído pelos Lombardos no século XIII, entre outras obras. Atraídos pela beleza e charme da região e por festivais de vinho, festa das flores, feiras de antiguidades e uma feira semanal de produtos típicos na Piazza Matteotti, a principal da cidade, os turistas que visitam Greve in Chianti podem se deliciar com uma gastronomia de alta qualidade que inclui trufas, porcos Cinta Senese e veados selvagens – todos de produção local.
Por todas estas razões, ter uma propriedade na região se tornou o objeto do desejo de bem resolvidos e ricos do mundo inteiro que compram propriedades idílicas como as famosas vilas toscanas, pequenos castelos e propriedades rurais centenárias com áreas de produção de azeite e vinho. Compram e não podem modificar um único tijolo. Em 2010 a revista norte-americana Forbes a nomeou a primeira da lista de “Europe’s Most Idyllic Places To Live.”
Mas Greve in Chianti prospera de um jeito diferente, controlado. Nos anos 80 a cidade já começava a ter problemas de perda de identidade por causa do volume de turistas. Como enfrentar o desafio de atender turistas em maior volume do que podia sem se descaracterizar? A solução convencional no turismo nestes casos é buscar a qualidade, mas a comunidade já oferecia isto. Foi quando o então prefeito Paolo Saturnini propôs uma idéia simples: a associação do conceito de “slow food” para a cidade inteira, um conceito que se materializou no Movimento Cittaslow.
O Movimento Cittaslow (Cidadades Lentas), a mais revolucionária proposta de desenvolvimento urbano sustentável, nasceu numa mesa de bar. Mais específicamente, na mesa de um restaurante de Greve in Chianti, na qual o então prefeito Paolo Saturnini almoçava com amigos. O ano era 1999 e a idéia surgiu como uma solução simples para um problema que todas as comunidades enfrentam – conciliar desenvolvimento com qualidade de vida. Hoje, menos de 13 anos depois, já está sendo aplicado em cerca de 150 cidades de 25 países.
O Movimento Cittaslow propõe a melhora da qualidade de vida dos cidadãos a partir de propostas vinculadas ao território, ao meio ambiente, ao respeito cultural e ao uso de novas tecnologias usando como “arma” o protagonismo comunitário. Simples na concepção, nasceu inspirada no Movimento Slow Food e se propaga em cidades pequenas, evitando que cometam os mesmos erros das cidades que crescem sem controle. Como diz Saturnini, cidades pequenas devem preservar; cidades grandes precisam revolucionar – e não sabem como. O Brasil tem 5.017 municípios com menos de 50.000 habitantes e pode criar centenas de Cidades Lentas salvando do caos urbano 65,2 milhões de brasileiros. Esta reportagem procura mostrar o caminho. Para saber mais acesse http://www.cittaslow.org
* Rogério Ruschel – rogerio@ruscheleassociados.com.br – é jornalista especializado e editor da revista eletrônica “Business do Bem – Economia, Negócios e Sustentabilidade”.

Tudo de bom né? Eu fico sonhando com uma Entre Rios sem OGM's...

uma vista do Chianti, região onde está Greve

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Pigia Pigia

O slow food de Bolonha promove na cidade o Mercato da Terra, onde os pequenos produtores de alimentos orgânicos, tradicionais ou artesanais expôem sua saborosa produção.

Neste dia acontece também uma atividade de experimentação e vivência do alimento para crianças. Sabores, cores, texturas, processos. Tudo para a meninada se divertir com o alimento, a terra e seus ciclos. A foto abaixo é do evento da semana passada, o nome da brincadeira "Prensa, Prensa", uma homenagem à toda uva que está sendo colhida nesta vendemmia.


mais fotos no facebook do slow food bologna, mais informações sobre o projeto de educação alimentar do movimento no site slow food educa

domingo, 1 de julho de 2012

Torino Slow

De volta à Itália, aproveitei o domingo para visitar o Museu Egípcio (http://www.museoegizio.it/) , no centro de Torino. É umas das maiores (ou a maior não sei ao certo) coleção egípicia fora do Egito, imperdível para quem passar por aqui. Esta parte da cidade é ótima para caminhar, tem muitas construções antigas lindas, um monte de sorveterias e cafés maravilhosos e no meio de tudo encontrei isto:



esta é a frase preferida do manifesto slow food do meu pai!

Este lugar EATALY (http://eatalyny.com/) é o supermercado do slow food. Bom, talvez seja ofensivo dizer supermercado, mas tem uma variedade tão grande de produtos que não tenho outro nome para descrevê-lo. Além disso é um restaurante, tem um café, e livraria slow, tudo de bom! Tomei uma gasosa super diferente, de uma planta chamada Chinotto, típica da Liguria.



As frases espalhadas pelo local são perfeitas:



( se precisar de tradução, ai vai bem tabajara: 1 - "comer é um ato agrícola"; 2 - "a vida é muito breve para comer e beber mal"; 3 - "compra só aquilo que te serve, mas compra-o bom")

Desculpe as fotos mais ou menos, mas é o que consigo com minha-emprestada-da-minha-mãe sony cybershot.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A bota – traçando o roteiro


Uma amiga me disse que sou a pessoa mais a deriva e com mais foco que ela conhece. Então é essa a rota da viagem: objetivos traçados, mas muitas lacunas para o imprevisível, o novo que sempre aparece. Gosto de não fechar muito os caminhos para não perder o acaso e suas possibilidades.
Mas o esqueleto tá montado e começa em Torino, Piemonte, por onde entro na Itália. Piemonte tem muitas coisas que me interessam, a primeira e maior delas é a sede do movimento slow food. Desde que conheci o assunto me apaixonei, foi como descobrir minha tribo, pessoas falando e fazendo o quê eu acreditava e gostaria de ver no mundo: alimentação e plantação caminhando juntos. É muito estranho que eles tenham se separado, mas esta é a verdade depois da revolução verde e do crescimento da indústria alimentar. A comida ficou orfâ de pai e mãe, como uma criança da roça criada na cidade grande, sem conhecer suas origens. Na verdade as pessoas ficaram orfãs de uma comida com história, ciclo, sabor. Resgatar isso é lindo e saboroso e o piemonte é onde tudo começa. Tem a UNISG, (www.unisg.it) Universidade de Gastronomia do movimento, um sonho antigo, um curso de mestrado que namoro há alguns anos...
Próximo passo Toscana. Roça. Mesmo com todo calor do verão, espero poder por a mão na terra, visitar e estar em algumas propriedades rurais, principalmente de horta orgânica. Dizem que é um ótimo período para festas típicas na região, e gostaria de alternar a atividade rural com passeios...
Não sei o próximo passo, mas ainda tenho dois objetivos:
Bologna. Um amigo de uma amiga participa do Slow Food local e achei que seria legal ver as atividades da região.
Por último Puglia. Sei pouquíssmo sobre o salto da bota, mas estou decidida a chegar até lá. Minha última paixão literaria foi Ossos, Sangue e Manteiga, de Gabrielle Hamilton, uma chef de cozinha americana muito autêntica, dona de um restaurante em NY que parece ser um sucesso – Prune, e que se casou com um italiano da região. Seu relato me encantou com a simplicidade do povo, sua culinária rica e preservada, a rusticidade das feiras e a alegria das pessoas. Foi amor a primeira leitura.
No mais à deriva, deixando o vento me guiar. Parece bom, não é?