Na Sicília acontece aquelas coisas que todo mundo diz: - só aqui mesmo. (Uma frase ligeiramente familiar para mim.)
Vou cedo ao mercado de Ballaró, hoje quero um café da manhã como na fazenda: iogurte, banana e granola. O rapaz me vende 2 bananas como meio quilo! Quanta banana eu já pesei para saber que aquilo é um roubo. Tento conversar, dizer que não é aquilo, que pesa menos. Nessa altura o pai do rapaz já berra comigo que o bambino já pesou e é 500g. Desisto, melhor pagar.
Entro no mercado ao lado para comprar uma água. Escolho uma gasosa naturalmente de uma nascente no Etna. Para mim é quase medicinal. O senhor do caixa se recusa a receber, diz que não pode cobrar de uma bella donna.
Dá pra entender esse povo?
Trem lotado, um pouco atrasado para partir, surge aquela voz do além que não se pode ouvir direito e avisa que o trem não parte mais. Sem saber para onde andar toda a gente começa a descer. Um funcionário da companhia anuncia aos berros o novo binário. Começa uma verdadeira corrida olímpica por um assento no novo trem. Eu fico para trás tentando fotografar o pai abaixo. O menino não está nem aí para a confusão, aquilo pra ele é um parque de diversão!
Mostrando postagens com marcador ballaró. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ballaró. Mostrar todas as postagens
sábado, 18 de agosto de 2012
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Todos os povos
Quinze de Agosto, ontem, era feriado nacional, tudo fechado. Mas as vendas de indianos, senegaleses, muçulmanos são abertas. Toda uma região, onde se escuta todas as línguas, menos italiano. Se come samosa, kebab, cuscus. Caminho em direção ao Jardim Botânico, um indiano, de menos de vinte anos, começa a conversar comigo, quer me conhecer, faço que não entendo, que não falo italiano, ele insiste agora numa mistura de italiano, inglês, português: birra, birra, today, dopo my lavoro, obrrrigado. Fujo.
O conceito de mercado é um pouco diferente de tudo que eu conhecia. É uma região, um bairro. Milhares de vielas com construções de 2 a 5 andares dos dois lados, com roupas penduradas em cima da sua cabeça, de repente surge um largo onde um monte de barracas se aglomeram. É apertado e súbito pode ter uma moto em cima de você ou um taxi aberto, uma mistura de uma vespa gigante, com um pedalinho. Peixe, verduras, pão, roupa, além das bancas tem milhares de portinhas oferecendo de cerveja a roupa de cama. Os vendedores parecem uma orquestra. Um começa a cantar seu produto, outro entra com um tom mais grave, logo tem outro mais agudo e a música soa por todos os lados, impossível entender qualquer coisa. E a coisa se repete a cada largo com um outro aglomerado de barracas, peixe, frutas, coisas de casa, soando uma nova sinfonia. Tem muitos produtos diferentes como a abóbora d'agua, e suas folhas, que me dizem ser comestível. Um figo da índia rosa por dentro, lindo. Banana, limão siciliano (claro), abacate...O café da manhã na vendinha da esquina é um tipo de brioche com uma bola de sorvete de café dentro. Único. Não posso dizer mais nada. A senhora loira, maquiada para uma festa, com um penteado alto, me pergunta se vou comer lá ou levar para casa - como posso portar à casa aquele sorvete derretendo dentro do pão? Como observando como fazem o casal de velhinhos ao meu lado. Tem lixo por todo lado, em alguns lados mais. Parecem verdadeiros depósitos de lixo em meio à cidade, junto com garrafas de plástico, um colchão velho, caixas de papelão, restos de um brinquedo e de uma geladeira, e pombos que fazem a festa.
No ônibus a caminho do mar, um senhor franzino, de 62 anos, me cede seu assento, insisto que não é preciso, mas ele já se levantou e claramente trocou este assento por uma conversa. Fala comigo em dialeto. Não entendo nada. Tento dizer a ele, que não me ouve. Agora me mostra o santinho da mãe e conta que é morta, depois reclama do preço da água. Desisto de dizer que não entendo bulhufas e aceno com a cabeça, concordando. A praia é logo ali.
Conheço um casal jovem de chineses, estão perdidos como eu no bairro-mercado de Ballaro, onde é o hostel que estou hospedada. Conversamos num inglês difícil, o menino fala um pouco a menina só ri, eu sou a melhor o quê não é muita coisa. Ele fala da sua paixão pelo futebol brasileiro eu falo da minha pelo tai chi. Eu não sei nada de futebol, ele não sabe nada de tai chi. Desistimos da conversa, inútil para os dois, caminhamos calados.
Estou encantada, o caos tem nome: Palermo.
Boníssimo isto: barraca de melão, depois uma de roupa e bugingangas, depois o pão!
Figo da índia colorido, naturalmente! descascado sem espinhos, perfeito!
Uma feira de coisas usadas bem embaixo à minha janela, no canto esquerdo é lixo.
Assinar:
Postagens (Atom)