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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Florença


Faltava um post sobre Florença. A cidade é um elo para mim: trem pra Certaldo, ônibus pro Casentino, depois volto pego um trem para Bologna, e mais um monte de vezes para Certaldo. E assim as estações já são bem conhecidas.

Mas claro que é muito mais que um ponto de partida e chegada, e sempre dou um jeito de dar umas voltinhas pela cidade que para mim, é a mais bonita da Itália até agora...

Como Liza, uma amiga, não estava disponível para a turnê pelas sorveterias da cidade, programa que já me prometeu que faremos, resolvi dessa vez ir ver o cara mais famoso da praça: Davi. Aqui vem a coisa incrível. Dá primeira vez que vim à Florença fui à Galleria degli Uffizi - escolhi que esta seria a fila que eu enfrentaria naqueles dias. E valeu a pena. O museu tem uma coleção única de peças renascentistas e, pra mim, a mais impressionante e comovente de todas: O Nascimento de Vênus, do Botticelli. Eu devo ter ficado muito embasbacada porque saí de lá e passei ao lado do pseudo Davi que está na Piazza della Signoria e nem dei bola, não vi nada. Agora quando cheguei na praça percebi que o pseudo Davi fica do lado do museu. Quer dizer, digo pseudo Davi porque esta é uma cópia. A original fica muito bem guardada na Galleria dell'Accademia.

Um outro fato marcante deste passeio: resolvi procurar com mais afinco um restaurante que minha prima Alice tinha me indicado e que me parece genial. Vizinho ao mercado central de Florença, ele faz o cardápio de acordo com a oferta de verduras e legumes do dia. Um lugar onde o cliente se adapta aos produtos da estação e não o contrário. Eu tinha procurado duas outras vezes, mas sem o endereço, só no olho, porque sabia que era vizinho à Piazza San Lorenzo, e não tinha encontrado. E agora com o endereço, claro que achei. Eu tinha estado ali do lado diversas vezes, inclusive porque me perdi naquele pedacinho da cidade um dia. Dava voltas e voltas pelos mesmos lugares, que se confundem devido à uma grande feira de bibelôs florentinos que se estende por várias ruas.

Conclusão desta enrolação toda: a gente olha, mas muitas vezes não vê nada. Fico me perguntando quantas vezes precisaria para enxergar metade, só metade, das coisas que estão à minha volta. Isso realçou uma decisão que tomei no começo da viagem: nada de excesso de arte. Eu preciso de tempo, preciso sentir uma coisa bela com os olhos do coração e depois sei que carrego comigo aquela sensação e lembrança. Muitas vezes, em viagens, a gente quer ver tudo, quer aproveitar cada espaço-tempo para visitar, conhecer, como se marcar um X em cada ponto turístico fosse o mais importante da viagem. Tudo na vida precisa de tempo. A arte, mais do que tudo. 



Bem, minha dica cultural de Florença é o Palazzo Medici Riccardi. Mais precisamente a Capela dos Reis Magos que tem lá dentro, toda com afrescos de um tal Benozzo Gozzoli. Imperdível, emocionante e com a vantagem que não tem fila!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Sorte minha...


A sorte tirada na barraca de verduras da Fierucola.

Chiunque può fare qualsiasi cosa. Se ero riuscita a farcela ad attraversare il deserto, beh allora chiunque poteva far qualsiasi cosa...
...il viaggio è stato facile. Non è stato più pericoloso di quanto lo sia attraversare una strada, andare al mare o mangiare noccioline.
Le due cose importanti che ho imparato sono state che puoi essere forte e coraggiosa solo se ti permetti di esserlo, e che la parte sicuramente più difficile di ogni avventura è compiere il primo passo, prendere la prima decisione.

Da “Orme. Una donna e quattro cammelli nel deserto australiano” di Robyn Davidson

Aguardo uma alma caridosa que me ajude a traduzir, pois não arrisco meu italiano tabajara.

domingo, 15 de julho de 2012

Fierucola - Firenze

Participei este domingo da feira de produtores orgânicos de Firenze (Florença), a fierucola. Fui para conhecer e ajudar o Luciano (o dono das albicoccas...) na barraca da Oficinallia.
Feira começando e mais parece um encontro de amigos, cada van que chega seu motorista é saudado por todos. Mas não há tempo para muita conversa, as pessoas estão chegando e é preciso descarregar os produtos e montar a barraca. Cada uma diversa da outra, cada produto diverso do outro. As pessoas começam a chegar  e o movimento não para por toda a manhã. Entre turistas desavisados que se encantam com aquele universo fresco e gostoso da feira chegam também os consumidores velhos amigos, que fazem desta feira mensal sua compra de mercado.

A albicocca faz sucesso e não paramos de pesar, meio, um, dois quilos. Estão lindas e são irresistíveis. Se hà dúvida sobre a doçura, nós não temos dúvida em oferecer uma para degustação. Venda certa. E se contamos do suco feito esta semana...hum...grande chance de aumentar a feira.
Tento meu melhor buongiorno e a senhorinha me olha e diz para a amiga: stranieri. Não há dúvida que sou estrangeira, meu encanto com aquela feira (pareço uma japonesa querendo fotografar tudo) é de quem vê uma cena nova.

A feira dura por mais algumas horas, começamos as 8 da manhã e já são 1 da tarde. O almoço acontece o tempo todo, iogurte de cabra do produtor de Popi, pão e pizza integral da barraca dos jovens feirantes da cidade, suco de albicocca.

Encontrei um mineiro que trabalha com um primo do meu pai em Lavras...coincidências...
A barraca de verduras oferece verduras e mensagens. Você escolhe um papel do cesto e aquela é a sua mensagem do dia, o produtor diz que não falha, muitas pessoas não acreditam e depois ficam impressionadas como se encaixa.

Feira acabando e ainda há muita albicocca. Hora das trocas. Luciano sai pela feira e volta com uma caixa de tomate, seu amigo busca uma caixa de albicocca... pão... queijo de cabra... e quando vejo está o Luciano medindo seu pé na barraca das sandálias artesanais. A albicocca rendeu esta semana...
No final o tempo que os produtores precisam para colocar a conversa em dia, afinal vêem de todo o canto da Toscana: mesa posta embaixo de uma árvore da praça, cada um com um produto para contribuir e muita história para dividir.


O querido Luciano Pasolini arrumando a barraca da Oficinallia - sentirei saudade desta família maravilhosa que me recebeu com tanto carinho e alegria. E das albicocce.

Achei este vídeo no youtube e tá bem documentado a Fierucola!