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domingo, 15 de julho de 2012

Fierucola - Firenze

Participei este domingo da feira de produtores orgânicos de Firenze (Florença), a fierucola. Fui para conhecer e ajudar o Luciano (o dono das albicoccas...) na barraca da Oficinallia.
Feira começando e mais parece um encontro de amigos, cada van que chega seu motorista é saudado por todos. Mas não há tempo para muita conversa, as pessoas estão chegando e é preciso descarregar os produtos e montar a barraca. Cada uma diversa da outra, cada produto diverso do outro. As pessoas começam a chegar  e o movimento não para por toda a manhã. Entre turistas desavisados que se encantam com aquele universo fresco e gostoso da feira chegam também os consumidores velhos amigos, que fazem desta feira mensal sua compra de mercado.

A albicocca faz sucesso e não paramos de pesar, meio, um, dois quilos. Estão lindas e são irresistíveis. Se hà dúvida sobre a doçura, nós não temos dúvida em oferecer uma para degustação. Venda certa. E se contamos do suco feito esta semana...hum...grande chance de aumentar a feira.
Tento meu melhor buongiorno e a senhorinha me olha e diz para a amiga: stranieri. Não há dúvida que sou estrangeira, meu encanto com aquela feira (pareço uma japonesa querendo fotografar tudo) é de quem vê uma cena nova.

A feira dura por mais algumas horas, começamos as 8 da manhã e já são 1 da tarde. O almoço acontece o tempo todo, iogurte de cabra do produtor de Popi, pão e pizza integral da barraca dos jovens feirantes da cidade, suco de albicocca.

Encontrei um mineiro que trabalha com um primo do meu pai em Lavras...coincidências...
A barraca de verduras oferece verduras e mensagens. Você escolhe um papel do cesto e aquela é a sua mensagem do dia, o produtor diz que não falha, muitas pessoas não acreditam e depois ficam impressionadas como se encaixa.

Feira acabando e ainda há muita albicocca. Hora das trocas. Luciano sai pela feira e volta com uma caixa de tomate, seu amigo busca uma caixa de albicocca... pão... queijo de cabra... e quando vejo está o Luciano medindo seu pé na barraca das sandálias artesanais. A albicocca rendeu esta semana...
No final o tempo que os produtores precisam para colocar a conversa em dia, afinal vêem de todo o canto da Toscana: mesa posta embaixo de uma árvore da praça, cada um com um produto para contribuir e muita história para dividir.


O querido Luciano Pasolini arrumando a barraca da Oficinallia - sentirei saudade desta família maravilhosa que me recebeu com tanto carinho e alegria. E das albicocce.

Achei este vídeo no youtube e tá bem documentado a Fierucola!

terça-feira, 10 de julho de 2012

Albicocca - Toscana!


Quem acompanhou o roteiro inicial da viagem deve ter percebido que Paris, Veneza, Padua e Verona, não estavam no script. Va bene, fazem parte da improvisação. Onde o vento me levou...Agora volto ao roteiro: Toscana. Hospedada com uma pessoa maravilhosa, o Pietro. Que no primeiro dia já me levou a uma fazenda que processa frutas e verduras orgânicas.

Preciso confessar que nunca fui fã de damasco in natura. Adoro a fruta seca, mas sempre foi frustrante, comprar no supermercado, naquela bandeijinha de isopor com duas frutas e o preço de uma dúzia, aqueles pseudo pêssegos. Achava que tinha algo errado com as frutas que chegavam até mim.
Mas minha chegada na Toscana coincidiu com a época da colheita da albicocca, ou damasco pra nós. E cá estou eu, numa fazenda cheia de árvores de albicocca. Onde o trabalho varia entre: colher, picar, fazer marmelada, chutney, suco, sorvete, tudo de albicocca. Claro, é a safra.
Então resolvi voltar a fita, esquecer todas as minhas velhas impressões, limpar o paladar e a cabeça e experimentar da melhor maneira que pode haver uma fruta: no pé, sendo eu escolhida pela fruta e não o contrário.
Que posso dizer?
Deliciosa!...tem uma textura diferente, o que antes eu achava poroso ruim, agora percebi o quanto pode ser poroso bom! E é justamente por isso que fica tão boa seca. Não tem acidez nenhuma, um perfume suave e um pouco mais seca que um pêssego. Acho que o mais importante foi parar de fazer relação com o pêssego, agora vi como são diferentes (até as árvores). O sorvete só com a fruta, um pouco de água e mel, é delicioso, feito quase na hora, é o néctar dos deuses!
Fiquei tão animada que já no primeiro dia  criei um ritual: a primeira e a última da colheita são para eu comer. E comer com o máximo de presença que consigo em todo o sabor, textura, cheiro da fruta. Fico ali, parada no meio do pomar gigante, sentindo o sol na cara e este novo velho sabor na boca.
Cheguei bem.