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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Acelga

Acelga aqui é como a couve em Minas. Pode aparecer toda hora num almoço. Tem aquelas lindas com o talo colorido, mas o normal mesmo é a verdinha com talo branco esverdeado. Chama bietola aqui.

A receita mais simples e saborosa aprendi com Pietro, hoje (eu acho que ele podia abrir um restaurante...mas ele me diz que já teve a experiência e...que não!).

Primeiro cozinhar a acelga inteira com talo e tudo num pouco de água numa panela com tampa. Paciência, deixa cozinhar, coloca bastante porque ela vai murchar toda. Quando o talo estiver bem macio escorrer e colocar num prato.

Por último temperar com azeite, sal e suco de limão. Mais simples impossível, mais saboroso também. Sou fã.


com direito a gotas de limão no ar!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Sicília-Argélia cous to cous


No Salone del Gusto e Terra Madre, um Laboratório do Gosto aproximará a tradição do cuscuz das duas margens do Mediterrâneo... um desafio até o último grão!


Cuscus, cuscussù, cous cous, kiskusu, seksu… da Sicília ao Norte da África, são inúmeras as variantes deste prato. O Laboratório do Gosto “A Rede do Terra Madre: Sicília-Argélia cous to cous”, no próximo 29 de outubro, oferece a oportunidade de encontrar duas interpretações do cuscuz e duas grandes histórias. A história de Marilù Terrasi, chef e dona do restaurante Pocho de San Vito lo Capo, a especialista do cuscuz à moda de Trapani; e Sid Alì Lahou, chef e fundador de uma cooperativa que produz o cuscuz a partir de farinhas orgânicas, na Argélia.
«O cuscuz é um ritual de espera. É preciso paciência, tempo, tranquilidade». Marilù Terrasi define assim o prato que ela prepara todo domingo para os seus clientes num bairro de San Vito lo Capo, na Sicília.

Marilù se formou em filosofia e já foi pesquisadora em Palermo. Hoje, entre outras coisas, é chef do Pocho, um restaurante cujo nome é o mesmo do gato mascote da sua companhia de teatro. O teatro é uma experiência que se repete toda noite, quando a cozinha fecha e Marilù entretém seus clientes com canções e relatos da tradição local.

Na outra margem do Mediterrâneo, Sid Alì Lalhou é um produtor argelino apaixonado e atípico, um autodidata que se tornou chef e diretor de uma cooperativa que produz até três toneladas de sêmola por dia para 14 tipos diferentes de cuscuz: trigo, aveia, arroz, centeio, milho, misto dois cereais, aromatizado com lavanda, tomilho ou menta e também um tipo sem glúten. Todos rigorosamente orgânicos e produzidos à mão pelas mulheres da cooperativa. Sid já esteve em Turim durante o Terra Madre 2010 e mal pode esperar para encontrar Marilù: «Eu estive em San Vito lo Capo em 2005, quando ganhei um concurso no Cous Cous Fest com uma receita à base de farinha de cevada orgânica. Na oficina, também vou apresentar o cuscuz de cevada com alho-poró e grão de bico. De dar água na boca!»

As vagas são limitadas: faça agora a sua inscrição para o Laboratório do Gosto. A Rede do Terra Madre: Sicília-Argélia cous to cous, em Turim, segunda-feira, dia 29 de outubro às 14:30, 20 euros para os sócios, 25 para os não sócios


Cous cous da tradição de Trapani 

Ingredientes para oito pessoas:

1 kg de sêmola grossa
água
2 cebolas
azeite, sal e pimenta do reino a gosto
pimenta malagueta, canela, louro, salsa
1 cabeça de alho
1 kg de peixe misto para o caldo, e uma quantidade de peixe a gosto para fritar
2 litros de massa de tomate ou de molho de tomate
150 g de amêndoas, um limão

Num recipiente de barro, coloque aos poucos a sêmola. Faça pequenas bolinhas com a mão direita e, com a esquerda, salpique com um pouco de água. Tempere com azeite, sal, pimenta-do-reino, canela, cebola e salsa picadas; coloque-o na cuscuzeira com algumas folhas de louro e a casca de limão. Cozinhe a vapor durante aproximadamente uma hora, acrescentando, na água fervendo, cheiro verde, cravo e canela e uns peixinhos.

Prepare uma sopa de peixe: refogue a cebola cortada em rodelas com bastante azeite. Adicione tomate, sal e pimenta-do-reino, uma pitada de malagueta, canela e um pesto preparado com dentes de alho, salsa e amêndoas. Deixe cozinhar aproximadamente vinte minutos e adicione, no final, o peixe limpo para o caldo.
Despeje o cuscuz cozido a vapor numa tigela grande, adicione metade do caldo e uma parte do peixe despedaçado. Cubra com um pano de lã e deixe descansar cerca de 45 minutos.

Sirva com o restante do caldo. Pode ser servido com uma mistura de peixes fritos em azeite de oliva. É uma base que pode ser usada para outros tipos de cuscuz, substituindo o peixe por carne de porco, de cordeiro, legumes e verduras e temperos de acordo com o gosto de cada um.

www.pocho.it


Seffa (Cuscuz doce) 

1 kg de cuscuz
50 g de amêndoas picadas
50 g de nozes picadas
100 g de passas de uva
40 g de mel
50 g de manteiga
50 g de tâmaras
50 g de damascos secos
50 g de farinha de amêndoa
2 colheres (de sopa) de azeite de oliva

Tempo de preparo: 20 minutos
Tempo de cozimento: 20 minutos

Coloque de molho em água quente, durante aproximadamente duas horas, as amêndoas, nozes e passas.
Escorra as passas e cozinhe a vapor por 15 minutos.
Coloque o cuscuz de molho, escorra-o e deixe descansar durante 15 minutos.
Cozinhe a vapor por 10 minutos e molhe-o com água salgada.
Misture o cuscuz com a farinha de amêndoa, as nozes e as passas. Cozinhe o cuscuz novamente a vapor por mais 10 minutos. Retire do fogo, misture bem e acrescente azeite e manteiga. Complete com mel e decore com as tâmaras cortadas pela metade, os damascos secos, as amêndoas, as nozes picadas e um pouco de passas.

www.lamaisonlahlou.com


Esta matéria é do site da Terra Madre, principal evento do Slow Food que acontece em Outubro em Turim.

Eu vou! Quem se anima?

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Sabores sicilianos


Não sei bem sobre o quê escrever. Não vou ter aqui a mesma relação que tive em Puglia, com a cozinha salentina, onde eu pude estar na cozinha, conhecer, conversar, fazer os pratos tradicionais. Aqui sou meramente uma turista olhando as vitrines. E provando o que tem dentro delas...

Por sorte tenho um amigo que me levou para jantar num restaurante pequenininho de frutos do mar. Delicioso. O peixe da Sicília é muito bom e famoso. Pra você ter idéia, o atum pescado nas vizinhanças é mandado para o Japão, para ser comido cru. Aqui, o  atum em conserva é prato chique. Nada de macarrão de desespero com pomarola. É um produto de denominação de origem controlada (DOC). Peixe é parte fundamental da culinária siciliana. Uma iguaria local e que só se encontra aqui é a botarga, ovas de peixe defumada. São fortes, servem para ralar sobre a pasta pronta, como um queijo. Não sei bem como fazem mas é uma coisa compacta, como um salame.  

Os doces sicilianos são famosos em toda a Itália. Os mais populares são aqueles com ricota. Descobri que geralmente são feitos com leite de ovelha e que são melhores no inverno, quando a ricota é mais fresca. Para os italianos são exageradamente doces. Isso porque eles não conhecem o brigadeiro brasileiro. Nada é muito doce para a terra da cana de açúcar. Têm muitos doces com pistache e amêndoas. Dois xodós da produção local. Não sou fã de doce mas estou disposta a provar todos, os famosos canole e cassata já estão aprovados, leves, delicados no sabor, muito bom. Aqui encontrei a pasta para fazer o leite de amêndoas e também de pistache. Já tá na bagagem (que a alfândega não me leia).

O salgado típico é o arancino, um croquete feito com arroz e vários recheios diversos, o mais comum é o de ragu ou de mussarela. Vale por uma refeição. Todo lugar tem, uns mais picantes outros menos. É uma especialidade culinária antiga, remonta ao século X. Tem esse nome porque parece uma laranja (arancia), uma bolota dourada frita!


O mais exótico é o tal do brioche com sorvete (olha eu aí, me adaptando aos costumes locais, um sorvete de creme e outro de pistache) . Fiquei pensando que a matéria prima da casca do sorvete deve ser a mesma do brioche. Mas nada é capaz de acabar com minha surpresa quando vejo alguém passando com aquele sorvete dentro do pão, como se fosse a coisa mais normal do mundo. O tradicional mesmo é com a granita, que é siciliana, influência árabe. É linda, porque é um bloco grande de gelo que o vendedor raspa, coloca num copo e depois joga o xarope do sabor que você escolher. Eu só peço de limão.

A maior surpresa foi o limão siciliano. Sei que agora não é época de limão aqui - apesar de limão não ter mais época -, mas todos que vi até agora são bem diferentes daqueles sempre amarelinhos e bonitinhos do Brasil. Aqui são irregulares, com tons que vão do verde ao amarelo, passando pelo marrom (dá pra acreditar?), mas, claro, saborosíssimos. Quem vê casca, não vê limão.