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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Meu manifesto do pão!

Eu sei o que quero:

pão assado no forno à lenha.
feito à mão.
com farinha orgânica integral,
moída em moinho de pedra.
com fermento natural (pasta madre),
o mesmo fermento natural envelhecido a 15 anos,
que fermenta lentamente.
feito com sal marinho natural,
sem aditivos, seco ao sol.
todo dia um pão novo...

Esse é meu manifesto pessoal.

achei meu manifesto escrito no cestinho de pão do Eataly

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Schiacchiata de Uva

Essa é pra mim a receita da vendemmia. Na Itália época de uva, é época de pão de uva! A schiacciata é como uma focaccia doce, com uvas que derretem quando cozinham e soltam seu líquido sobre o pão. Adorei desde o primeiro pedaço que comi. Não posso ir numa festa ou numa feira para procurar as barracas de pão e escolher a schiacciata mais bonita, aquela com cara de pão artesanal molhadinho...

Aurora e eu ensaiamos várias vezes de fazer, uma receita da sua mãe que nos disse até em qual videira devíamos colher as uvas. Mas acabou que ela foi embora antes de rolar. Hoje pensei que faria para comer junto com meus amigos da vendemmia, já que amanhã é meu último dia. Mas o tempo foi mais rápido que eu e hoje só vi uva branca na cantina...

Fica a receita para quem se animar. Farei provavelmente quando voltar para a Toscana, daqui a alguns dias, porque amanhã é dia de pé na estrada! Até lá, olho nas barraquinhas de pão...

A receita da massa é como de uma focaccia. Pensei em colocar na máquina de pão para bater.
1 copo de requeijão (hehe) de água
2 copos de farinha de trigo
2 colheres de sopa de açúcar
1 colher de café de sal
4 colheres de sopa de azeite
1 envelope de fermento para pão

Para o recheio, uva roxa, daquela pequena (aqui é mais específico, mas acho que vai bem com a isabel que temos por aí...) e açúcar.

Depois da massa batida, importante que não seja uma massa muito dura, deixar descansar um pouco e depois espalhar em uma assadeira metade da massa com a ajuda de um rolo, uvas por cima, polvilhar açúcar e depois mais massa repetindo a operação das uvas e açúcar. Cabe também um temperinho tipo alecrim...


 Enquanto não faço a minha, foto do site semplicemente pepe rosa


quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Comida pra Vendemmiar

Contei pro Pietro que uma vez vi no livro do Jamie Oliver na Itália, uma foto dele levando umas lasanhas maravilhosas na carroceria de um trator para os vendemiadores almoçarem. Cena de livro, é claro, mas linda.

O que descobri é que tem de tudo na vendemmia. Fazendas pequenas que trabalham praticamente a família e alguns amigos, e nestes lugares os almoços são momentos de festa, comida e vinho, já celebrando a produção que virá. Outros que cada pessoa leva seu almoço, mais prático, e depois no final fazem um grande dia de festa (sempre tem a festa, como se pode notar) com pizza, vinho, histórias. Aqui na Majnoni Guicciardini é assim, cada um por si na hora de comer. O Pietro já tem coisa demais para se preocupar sem isso.

Mas acho que ele ficou sensibilizado com minha imagem romântica do almoço da vendemmia, e ontem chegou em casa com uma ricota fresca de ovelha feita por um pastor das redondezas e com muita disposição de fazer uma super torta para o jantar. Que claro, sobrava para um super almoço de vendemmia.
A ricota era um negócio de louco, não tenho palavras para descrever. E sempre a premissa, precisa ser comida logo, dois ou três dias no máximo. Eu faço a minha parte, sem problemas, ficar velha é que não vai comigo por perto!

A torta foi mais ou menos assim, digo mais ou menos, porque o Pietro segue três sites diferentes para fazer uma receita, além da parte que ele inventa, é claro. O importante é o resultado, que foi aprovado!

Massa da torta:
1 e ½ xícara (chá) de farinha de trigo
6 colheres (sopa) de manteiga
1 ovo
2 colheres (sopa) de água
pitada de sal

Prepare a massa colocando a farinha de trigo em uma mesa e abrindo um buraco no meio. Coloque no centro da farinha a manteiga gelada cortada em cubos. Misture com a ponta dos dedos até a massa ligar. Bata levemente o ovo com a água e o sal e adicione à mistura de farinha. Ligue a massa. Deixe descansar por 20 minutos.

O recheio é super simples, amassar a ricota e temperar com açafrão (pistilo), um pouco de queijo curado de ovelha, sal, azeite, um ovo e se quiser um pouco de presunto cru picado. O tempero é como você gosta, cheiro verde também pode ficar bom, tudo respeitando o sabor suave da ricota...

Depois é só abrir a massa numa forma com papel manteiga, colocar o recheio dentro e fazer as listras com a massa para ir por cima. Montada, forno, por uns 40 minutos, até a massa dourar. Pronto, depois você tá pronto para trabalhar na colheita das uvas, almoço de vendemmia garantido! Eu posso dizer que passei bem!


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Pão do coração


Hoje estou sentindo uma felicidade estranha. Sabe aquela alegria um pouco "super sensível" que você tá feliz mas tem uma certa vontade de chorar... Sinto isso geralmente quando vejo alguma coisa muito bela, que me emociona.

Tive dois momentos muito legais hoje, talvez seja isso.

O primeiro foi conhecer uma escola waldorf numa cidade aqui vizinha. Pode parecer pouco, mas me emociona profundamente a energia dessas escolas. As pessoas têm um semblante tranquilo, as crianças parecem mais felizes, o espaço lembra um lugar mágico, com seus quadros negros com desenhos lindos, sala de marcenaria e trabalhos manuais, tudo tão diferente, ao mesmo tempo me parece tão lógico para uma escola, para ensinar à crianças. Sei que esta é só a visão romântica de pessoas, crianças, espaços, mas posso guardar essa boa sensação no meu coração, não?

Depois fui conhecer uma fazenda biodinâmica chamada Camporbiano. Entre tantas coisas bacanas que eles fazem, desde à autosuficiência em energia elétrica, à produção de queijos, pão, massas, verduras, fiquei encantada mesmo foi com a farinha de trigo. Eles plantam o grão e depois fazem a farinha. São diversos tipos de grãos/cereais e depois três pontos de moagem, que fazem uma farinha mais grossa ou mais fina. O moinho de pedra todo feito em madeira por fora é incrível, pequeno, prático, eficiente.

Meus pensamentos começaram a voar até o Brasil, fiquei pensando como consumimos farinha de trigo e produtos feito com ela sem ter nenhum contato com o trigo. A maioria das pessoas, aposto, nunca nem viram um pé de trigo. Não sei se minhas informaçõe estão atualizadas mas me lembro que já li que a maior parte do trigo consumido no Brasil vem da vizinha Argentina. Um grão, que segundo Sonia Hirsch uma amiga/mestra, viaja em condições muitas vezes insalubres, sabe-se lá quando foi feito ou que variedade é. Me lembro de ter visitado uma vez uma fazenda "indústria" que entre outras coisas plantava trigo, um plantio a perder de vista, caminhava e um enxame de um inseto preto literalmente grudava em todo o corpo, uma coisa estranhíssima. O primeiro lugar que ouvi dizer que joaninha, aquele outro simpático inseto que povoa nossa cabeça com coisas alegres, era praga. Eles odiavam a coitada da joaninha, que andava em grupos grandes por lá...

Aqui as fazendas são menores,  é normal cada uma produzir um pouco de grão, mesmo que só para seu consumo. É costume na Itália conhecer os diversos tipos de grãos e cereais/primos (aqueles que fazem boas farinhas e podem ser usados juntos com o trigo), eles conhecem as variedades mais antigas que são mais digestíveis e muitos optam em plantar somente estes tipos de grãos.

O resultado se sente no pão. A cultura do trigo não deixou o pão industrial, como o nosso famoso pãozinho francês, pegar por aqui. Bem que tentaram, mas o povo é categórico quando se trata de alimentação, escolhem até o forno que preferem para ter o mais saboroso e saudável pão.

Volto às escolas waldorfs que num determinado ano fazem as crianças vivenciarem todo o processo da produção do pão. Começam construindo o forno, dia de muito barro, trabalho e bagunça, afinal são crianças. Depois chega o dia de fazê-lo. Me lembro que estava visitando a Rudolf Stenier em SP no dia que haviam feito o pão. Impossível esquecer a alegria daqueles meninos oferecendo o resultado do seu trabalho a nós visitantes. Pão do coração.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Nhoque com manteiga e sálvia

Pasta com manteiga e sálvia é típico na Itália. O mais tradicional é o ravióli. Funciona mais ou menos assim, onde não se faz azeite de oliva, ou seja mais ao norte, se usa mais a manteiga. Aqui na Toscana tem óleo, mas a pasta com sálvia e manteiga também faz sucesso. Esta receita é direto do Podere le Fornaci, onde estou esta semana e encontrei uma turma ótima, super animada e boa de cozinha!

Ingredientes:

1 kg de batata
300g de farinha
1 ovo
sal
sálvia
parmeggiano
manteiga



Preparo:

Cozinhar as batatas com água e um pouco de sal. Descascar e amassar sobre um pouco de farinha. Juntar o ovo, sal e misturar com as mãos até ter uma massa homogênea. Se necessário adicionar farinha, vai depender da batata, a massa deve ser macia. Cortar a massa em pedaços. Numa mesa com um pouco de farinha fazer uma cobrinha com a massa e cortar os nhoques. Em água fervente colocar os nhoques e ir retirando aqueles que sobem (se for muito é bom dar uma mexidinha para não grudar).
Ao mesmo tempo numa frigideira fritar a sálvia na manteiga.
Numa travessa ir alternando um pouco de nhoque, manteiga com sálvia e parmeggiano ralado. Um pouco de pimenta do reino vai bem também...
Servir imediatamente.